OPÇÕES  DE  INTERATIVIDADE  REUNIÕES  NA  CIDADE  DE  SÃO  PAULO  FÓRUM  DE  DISCUSSÃO - ARTIGOS  TRECHOS  DE PALESTRAS  DE  "K"  DIÁLOGOS  ON  LINE 

BLOG  KRISHNAMURTI  >>> CLIQUE  AQUI
Visite, leia e, se quiser, publique sua mensagem instantaneamente.

 krishnamurti@krishnamurti.com.br 

Novos Livros de "K"

KRISH3.JPG (41231 bytes)

Página Inicial
Interatividade 
Diálogos on line
Reuniões S. Paulo
Artigos de leitores
Palestras (trechos)
Videos Disponíveis
Novo Livro de K
Livros Disponíveis
Biografia Básica
Perguntas e Resp.
Links de interesse


"Cartas a Uma Jovem Amiga"

2002 - Editora Terra Sem Caminho
www.krishnamurtisemc.hpg.com.br 

Para adquirir o livro, entrar em contato com Ligia, que representa a 
ICK Vídeos SP através do fone/fax (11) 3815 5825

e-mail: ickvideossp@uol.com.br

 endereço: Ligia Maria Juocys
Rua Pedro Ortiz, 93
- cep 05440-010 S. Paulo S.P

"A Única Revolução"

trechos do livro

A "Editora Terra Sem Caminho" tem a alegria de apresentar a reedição do livro "A Outra Margem do Caminho", originalmente lançado pela ICK em 1972, agora com o título original "A Única Revolução" , que acaba de sair da gráfica e ficou lindo, veja só:

 
Para adquirir o livro, entrar em contato com Ligia, que representa a 
ICK Vídeos SP através do fone/fax (11) 3815 5825

e-mail: ickvideossp@uol.com.br

  endereço: Ligia Maria Juocys
Rua Pedro Ortiz, 93
- cep 05440-010 S. Paulo S.P

“A ÚNICA REVOLUÇÃO”: Livro de J.Krishnamurti lançado pela editora “Terra Sem Caminho”, divisão da Instituição Cultural Krishnamurti  (ICK) para edição de obras de K.

Livro publicado em 1972 com o título “A Outra Margem do Caminho”, pela mesma ICK, e esgotado há muito tempo, foi totalmente revisado recentemente para esta nova edição.

 “A ÚNICA REVOLUÇÃO” é um livro com características especiais dentro da obra de K, sendo que cada capítulo contém uma reflexão sobre Meditação, uma pequena descrição da Natureza, e um relato de um Encontro entre Krishnamurti e pessoas que o procuravam com questões pessoais.

 O Livro se divide em três partes, India, Califórnia e Europa, de acordo com o local  onde ele se encontrava na época em que o evento descrito aconteceu.

 Não é uma transcrição de palestras proferidas, como outros livros de K, e sim um livro escrito por ele mesmo e organizado e editado originalmente por Mary Lutyens, sua biógrafa mais conhecida.

 Para melhor idéia de sua apresentação e conteúdo, transcrevemos abaixo dois de seus capítulos, um da Europa e outro da India.

Logo abaixo, anexamos o que aparece como “Orelha” e “4ª Capa” do livro.

 Com a palavra, Krishnamurti:


   EUROPA

   POR  QUE  VOCÊ NÃO COMEÇA PELA OUTRA MARGEM,

   O LADO QUE  VOCÊ  NÃO  CONHECE?

 Você nunca pode se preparar para meditar: ela deve acontecer sem que você a busque. Se você a busca, ou pergunta como meditar, então o método não só o condicionará mais, mas também fortalecerá o seu atual condicionamento. A meditação, em verdade, é a negação de toda a estrutura do pensamento. O pensamento é estrutural, razoável ou não, objetivo ou doentio, e quando tenta meditar com base na razão ou a partir de um estado neurótico e contraditório, projetará inevitavelmente o que ele próprio é e tomará, à sério, sua própria estrutura por realidade. É como um crente meditando em sua própria crença; ele fortalece e santifica aquilo que, por medo, ele próprio criou. A palavra é a representação ou a imagem cuja idolatria se torna um fim.

O som constrói sua própria gaiola, e o barulho que o pensamento faz procede dessa gaiola, e é essa palavra e seu som que separam o observador e a coisa observada. A palavra não é apenas uma unidade da linguagem, não apenas um som, mas é também um símbolo, uma lembrança de qualquer evento, o qual põe em movimento a memória, o pensamento. Meditação é a total ausência da palavra. A raiz do medo é o    mecanismo da palavra.

Era o início da primavera, e no Bois  era especialmente suave. Havia poucas folhas novas, e o céu não tinha ainda aquele azul intenso que acompanha as delícias da primavera. As folhas dos castanheiros ainda não tinham brotado, mas os primeiros aromas da primavera  estavam no ar. Naquela parte do Bois quase não se via ninguém e você podia ouvir os carros que passavam ao longe. Estávamos passeando no começo da manhã, e havia aquela suave pungência do começo da primavera. Ele veio conversando, questionando e perguntando o que ele deveria fazer.

"Parece uma coisa interminável, esta constante análise, este exame introspectivo, esta vigilância. Já tentei de tudo; os gurus bem barbeados, e os gurus barbudos, e muitos sistemas de meditação — você sabe, todos os truques cartola. E isso deixa a gente de boca vazia e oco por dentro."

Por que você não começa  pelo outro lado, o lado que você não conhece — da outra margem, a qual você não tem possibilidade de ver desta margem? Comece com o desconhecido, ao invés de começar com conhecido, pois esse constante exame e análise somente fortalece e condiciona ainda mais o conhecido. Se a mente vive a partir do outro lado, então esses problemas não irão existir.

"Mas, como que eu vou começar do outro lado? Eu não  o conheço, não posso vê-lo."

Quando você pergunta — como que eu vou começar do outro lado? — você está ainda perguntando a partir deste lado. Portanto, não pergunte isto, mas comece do outro lado, do lado que você não conhece nada, de uma outra dimensão que o pensamento, por mais astuto que seja, não pode apreender.

Permaneceu em silêncio por algum tempo, e um faisão macho passou voando, ele reluzia ao sol, e desapareceu por baixo de umas moitas. Quando reapareceu, pouco depois, vinha acompanhado de uma meia dúzia de fêmeas quase da mesma cor que as folhas mortas; e no meio delas, o grande macho tinha um ar majestoso.

Ele estava tão ocupado que nem notou o faisão e, quando nós chamamos sua atenção para isso, exclamou: "Que bonito!" — o que eram meras palavras, porque sua mente estava ocupada com o problema de como começar de um ponto de partida que ele não conhecia. Um lagarto madrugador, comprido e verde, aquecia-se ao sol, sobre uma pedra.

"Não posso ver como que eu vou começar daquele lado. Em verdade, não compreendo essa aasserção vaga, essa afirmação, que, pelo menos para mim, não tem significado nenhum. Eu só posso ir aonde eu conheço."

Mas, que é que você conhece? Você só conhece uma coisa que já está terminada, acabada. Você só conhece o ontem, e nós estamos dizendo: comece daquilo que você não conhece, e viva a partir dali. Se você diz: "Como que eu vou viver a partir dali?" —então você está convidando o padrão de ontem. Mas, se você vive com o desconhecido, você está vivendo em liberdade, agindo a partir da liberdade, e isso, afinal, é amor. Se você diz: "Eu sei o que é o amor" —então você não sabe o que ele é. Certamente,  isso não é uma memória, uma lembrança de um prazer. Já que não é isso, então viva com aquilo que você não conhece.

"Eu realmente não sei do que você está falando. Você está tornando o problema ainda pior".

Estou fazendo uma pergunta muito simples. Estou dizendo que, quanto mais você cava, mais você tem para cavar. O próprio cavar é o condicionamento, e cada cavada forma um degrau que não leva a parte alguma. Você quer novos degraus feitos para você, ou você quer fazer os seus próprios degraus que o levarão a uma dimensão totalmente diferente.Mas se você não sabe o que aquela dimensão é, ––de fato, não especulativamente–– então sejam quais forem os degraus que você faça ou trilhe, só poderão levá-lo àquilo que já é conhecido. Assim, largue tudo isso e comece pelo outro lado. Fique em silêncio, e você vai descobrir.

"Mas eu não sei como ficar em silêncio!"

Aí está você de novo no "como", e não há um fim para o "como". Todo saber está do lado errado. Se você sabe, você já está no seu túmulo. Ser não é saber.


ÍNDIA –– A BENÇÃO DO AMOR

Meditação não é um escape do mundo; não é atividade egocêntrica, isolante, porém, antes, a compreensão do mundo e seus costumes. Pouco tem o mundo para oferecer, além de alimento, roupa e morada, e do prazer e suas aflições.A meditação é um movimento para fora deste mundo; pois temos de estar totalmente fora dele. Então, o mundo tem significação e é constante a beleza do céu e da terra. Então, o amor não é prazer. Daí nasce uma ação que não é resultado de tensão, de contradição, da busca de autopreenchimento, ou da arrogância do poder.

Nosso quarto dava  para o jardim e, dez ou doze metros abaixo, estendia-se o largo rio, sagrado para alguns, mas para outros uma bela extensão de água, aberta aos céus e à glória da manhã. A outra margem era sempre visível, com sua aldeia e suas árvores copadas e o recém-plantado trigal de inverno. Do quarto via-se a estrela matutina e o sol elevar-se lentamente acima das árvores; e o rio se tornava um caminho de ouro para o sol.

De noite o quarto era muito escuro e a larga janela mostrava todo o céu do sul. Nesse quarto, certa noite, entrou, com muito alvoroço — uma ave. Acendendo a luz e saindo da camo, nós a vimos debaixo da cama. Era uma coruja. Media cerca de quarenta e cinco centímetros de altura, tinha olhos enormes e um bico temível. Ficamo-nos fitando, bem perto um do outro, a poucos centímetros de distância. Assustava-a a luz e a proximidade de um ser humano. Estivemos um bom tempo a encarar-nos sem piscar e nem uma só vez ela perdeu a sua altivez e sua selvagem dignidade. Você podia ver suasgarras cruéis, as leves penas e as asas, apertadas contra o corpo. Tínhamos vontade de tocá-la, de afagá-la, mas isso de modo nenhum ela permitiria. Assim, pouco depois, apagamos a luz e por alguns momentos houve silêncio no quarto. Passados alguns instantes, um bater de asas —você podia sentir o ar contra o rosto — e a coruja saiu pela janela. Não voltou mais.

Era um templo muito antigo; dizia-se que devia ter mais de três mil anos, mas você sabe como o povo exagera. Sem dúvida, ele era velho; fora templo budista e cerca de sete séculos atrás tornara-se templo hinduísta, sendo o Buda substituído por um ídolo hindu. Dentro era muito escuro e tinha uma estranha atmosfera . Havia pórticos com colunatas, longos corredores belamente entalhados, e havia o cheiro de morcegos e de incenso.

Os devotos, recém-banhados, vinham entrando, de mãos postas, e circulavam por esses corredores, prostrando-se toda vez que passavam diante da imagem, vestida de sedas brilhantes. Um sacerdote cantava no santuário e era agradável ouvir o sânscrito bem pronunciado. Cantava sem pressa, e as palavras vinham, claras e graciosas, das profundezas do templo. Havia crianças, mulheres idosas e rapazes. Os homens que exerciam profissões tinham guardado suas calças e casacos europeus e vestido dhotis, e ali estavam de mãos postas e ombros nus, com muita devoção, sentados ou de pé.

E havia um poço cheio de água — um poço sagrado — com muitos degraus que a ele desciam e, em torno dele, colunas de rocha esculpida. Você entra no templo deixando a estrada de terra , cheia de barulho, batida por um sol brilhante e causticante e ali havia muita sombra e paz. Não havia velas, nem pessoas ajoelhadas, porém apenas os que tinham feito a perigrinaçãoem torno do santuário, a mover silenciosamente os lábios, em oração.

Naquela tarde veio visitar-nos um homem. Disse-nos ser seguidor da Vedanta. Falava muito bem inglês, educado que fora em uma de nossas universidades, e tinha um intelecto brilhante, arguto. Advogado, ganhava muito dinheiro e seus olhos penetrantes nos olhavam especulativamente,  medindo, pesando, e com certa ansiedade. Parecia ter lido muito, inclusive alguma coisa da teologia ocidental. Homem de meia idade, um pouco magro, alto, com a dignidade do advogado ganhador de muitas causas.

Disse: "Ouvi você falar, e o que você diz é pura Vedanta, modernizada, mas da velha tradição". Perguntamos-lhe o que entendia por  Vedanta. Respondeu: "Senhor, nós cremos que só existe Brahma, que cria o mundo e sua ilusão; e o Atman — que habita todo ser humano — pertence àquele Brahma. O homem deve despertar dessa consciência cotidiana da pluralidade e do mundo manifesto, assim como se desperta de um sonho. Tal como o sonhador cria a totalidade do seu sonho, assim a consciência individual cria a totalidade do mundo manifesto e das outras pessoas. Você, senhor, não diz tudo isso, mas certamente o tem em mente, porque nasceu e foi criado neste país e, embora tenha passado a maior parte de sua vida no estrangeiro, você é uma parte desta antiga tradição. A Índia o produziu, quer o agrade, quer não; você é produto da Índia e tem mentalidade indiana. Os seus gestos, a sua imobilidade de estátua, quando fala, todo o seu aspecto é parte desta velha herança. O seu ensinamento é com certeza a continuação do que os nossos antepassados ensinaram, desde há tempos imemoriais".

Deixemos de lado se este que lhe fala é um indiano criado nesta tradição, condicionado nesta cultura, se ele é uma síntese desse antigo ensinamento. Em primeiro lugar, ele não é um hindu, isto é, não pertence a esta nação ou à comunidade dos brâmanes, embora nela nascido. Rejeita toda essa tradição de que o está revestindo. Nega que seu ensinamento seja a continuação dos ensinamentos antigos. Não leu nenhum dos livros sagrados da Índia ou do Ocidente, porque eles são desnecessários ao homem que está atento ao que está acontendo no mundo — o comportamento dos seres humanos, com suas intermináveis teorias, com a propaganda aceita de dois ou cinco mil anos, que se tornou a tradição, a verdade, a revelação.

 Para esse homem que total e completamente rejeita aceitar a palavra, o símbolo e seu condicionamento; para ele a verdade não é uma coisa de segunda mão. Se o tivesse escutado realmente, senhor, desde o começo ele tem dito que qualquer aceitação da autoridade é a negação mesma da verdade, e tem insistido que devemos ficar fora de toda cultura, tradição e moralidade social. Se o tivesse escutado, então você não diria que ele é um indiano ou que está continuando a tradição antiga, traduzida em linguagem moderna. Ele rejeita totalmente o passado, seus instrutores, seus intérpretes, suas teorias e fórmulas.

 A verdade nunca está no passado. A verdade do passado são cinzas da memória; a memória pertence ao tempo, e nas cinzas mortas de ontem não existe verdade. A verdade é uma coisa viva, não contida na esfera do tempo.

 E assim, tendo colocado tudo isso de lado, podemos agora considerar a questão central do Brahma que você propôs.Certamente, senhor, a própria asserção dessa crença é uma teoria inventada por uma mente imaginativa — seja Shankara, seja o moderno e acadêmico teólogo. Você pode experimentar uma teoria e dizer que assim é; mas isso é ser como um homem criado e condicionado no mundo católico e que tem visões de Cristo. Tais visões, é óbvio, são a projeção de seu próprio condicionamento, e os que foram criados na tradição de Krishna têm experiências e visões oriundas de sua cultura. Assim, a experiência não prova nada. Reconhecer a visão como sendo de Krishna ou de Cristo é o resultado de conhecimento condicionado; tal visão, portanto, não é real, em absoluto, porém uma fantasia, um mito fortalecido pela experiência e totalmente nulo. Por que você quer mesmo uma teoria e por que você precisa de alguma crença? Essa constante asserção de crença é sinal de medo — medo da vida de cada dia, medo do sofrimento, medo da morte e da total falta de significação da vida. Vendo tudo isso, você inventa uma teoria, e quanto mais ardilosa e erudita essa teoria, mais peso tem. E após dois ou dez mil anos de propaganda, ela se torna, invariável e tolamente, "a verdade".

 Mas, se você não prega nenhum dogma, então você se vê frente a frente com o que realmente é. O que é –– é pensamento, prazer, sofrimento, e o medo da morte. Quando você compreende a estrutura de seu viver diário — com sua competição, avidez, ambição e busca do poder — então você verá não só o absurdo das teorias, salvadores e gurus, mas também você poderá encontrar o fim do sofrimento, o fim de toda a estrutura construída pelo pensamento.

 A penetração e compreensão dessa estrutura é meditação. Então você verá que o mundo não é uma ilusão, mas uma terrível realidade que o homem, nas relações com seus semelhantes, construiu. Isso é que se precisa compreender e não essas teorias extraídas da vedanta, com os rituais e toda a parafernália da religião organizada.

 Quando o homem, sem nenhum motivo, é livre do medo, da inveja ou do sofrimento, só então a mente está naturalmente em paz e tranqüila. Pode então não só ver a verdade na vida diária, de momento a momento, mas também ir além de toda a percepção; por conseguinte, existe o findar do observador e da coisa observada, cessa a dualidade.

 Mas, além de tudo isso, e sem relação com essa luta, essa vaidade e esse desespero, existe — e isto não é uma teoria — uma corrente sem começo nem fim; um movimento imensurável que a mente jamais pode apreender.

 Ouvindo isto, senhor, obviamente você vai fazer uma teoria disso, e se gostar dessa nova teoria, você irá propagá-la. Mas o que você propaga não é a verdade. A verdade está somente quando você está livre da dor, da ansiedade, e da agressividade que ora enchem o seu coração e mente. Quando você percebe tudo isto e chega àquela bênção chamada amor, então você saberá a verdade do que foi dito.

Orelhas:

 Jiddu Krishnamurti nasceu em maio de 1895, na India. Foi educado dentro da Sociedade Teosófica e tratado como veículo para encarnação do Messias, do Bodhisatwa Maitreya. Para isso foi colocado como chefe da Ordem da Estrela do Oriente. Em agosto de 1929, aos 34 anos, dissolveu a Ordem da Estrela e seguiu seu caminho único. Excertos do discurso que proferiu então:

 Sustento que a verdade é uma terra sem caminho, e você não pode aproximar-se dela por nenhum caminho, por nenhuma religião, por nenhuma seita. Este é meu ponto de vista e eu o sigo de modo absoluto e incondicional. Não tendo limites, não sendo condicionada e não sendo acessível por nenhuma espécie de caminho, a Verdade não pode ser organizada; nem se deve formar nenhuma organização para levar ou forçar as pessoas a enveredar por determinado caminho...

Se vocês criam uma organização com esse propósito, ela se tornará uma muleta, uma fraqueza, uma servidão, mutilará o indivíduo e o impedirá de crescer, de firmar sua unicidade, que reside no descobrimento, para si mesmo, da Verdade absoluta, não-condicionada...

A partir do momento em que vocês seguirem alguém, vocês deixarão de seguir a Verdade. Não me preocupa saber se  vocês prestam ou não atenção ao que digo. Quero fazer certa coisa no mundo e vou fazê-la com pertinaz concentração. Só me preocupa uma coisa essencial: libertar o homem. Desejo libertá-lo de todas as gaiolas, de todos os temores, e não fundar religiões, novas seitas, nem estabelecer novas teorias e novas filosofias...

Porque sou livre, não-condicionado, total, não a parte, não o relativo, mas a √erdade total, que é eterna, desejo que os que procuram compreender-me sejam livres, não me sigam, não façam de mim a gaiola que se converterá em religião, em seita. Desejo que sejam livres de todos os medos - do medo da religião, do medo da salvação, do medo da espiritualidade, do medo do amor, do medo da morte, do medo da própria vida...

Todos vocês dependem, para sua espiritualidade, de outra pessoa; para a sua felicidade, de outra pessoa, para sua iluminação, de outra pessoa... Quando digo: busquem dentro de vocês a iluminação, a glória, a purificação e a incorruptibilidade do Ser, nenhum de vocês se dispõe a fazê-lo...

Mas os que realmente desejam compreender, que estão buscando o eterno, o sem começo e sem fim, caminharão juntos com maior intensidade, serão um perigo para tudo o que não é essencial, as irrealidades e as sombras. E eles se concentrarão, tornar-se-ão a chama, porque compreendem. Tal é o corpo que precisamos criar e tal é o meu propósito. Por causa dessa amizade verdadeira haverá uma cooperação verdadeira da parte de cada um. Não em virtude da autoridade, não em virtude da salvação, mas porque compreendem realmente e, portanto, são capazes de viver no eterno. Isto, sim, é maior que todo o prazer, do que todo o sacrifício...

Meu único propósito é tornar o homem absoluta e incondicionalmente livre.

 E seguiu percebendo e sustentando a Verdade com total compromisso e integridade. Por mais 56 anos viajou pelo mundo, sendo e falando, escrevendo e encontrando muita gente. Seus livros são publicados no Brasil pela Instituicão Cultural Krishnamurti e pela Editora Cultrix. Morreu em fevereiro de 1986, aos 90 anos de idade, na California. Sua última palestra havia sido em janeiro, em Madras. Há quem diga que ele é Aquele que foi anunciado.

4ª CAPA:

...Meditação não é um escape do mundo; não é atividade egocêntrica, isolante, porém, antes, a compreensão do mundo e seus costumes. Pouco tem o mundo para oferecer, além de alimento, roupa e morada, e do prazer e suas aflições...

...A verdade nunca está no passado. A verdade do passado são cinzas da memória; a memória pertence ao tempo, e nas cinzas mortas de ontem não existe verdade. A verdade é uma coisa viva, não contida na esfera do tempo...

 ...Por que você não começa  pelo outro lado, o lado que você não conhece — da outra margem, a qual você não tem possibilidade de ver desta margem? Comece com o desconhecido, ao invés de começar com conhecido, pois esse constante exame e análise somente fortalece e condiciona ainda mais o conhecido. Se a mente vive a partir do outro lado, então esses problemas não irão existir...

 ... Inteligência é ver o que é...

 ... Rejeitar toda e qualquer moralidade é ser moral, porque a moralidade estabelecida é a moralidade da respeitabilidade, e parece-me que todos desejamos ardentemente ser respeitados - quer dizer, ser reconhecidos como bons cidadãos desta sociedade corrompida. A respeitabilidade é muito lucrativa, garantindo-nos um bom emprego e uma renda fixa. A moralidade vigente, de avidez, inveja e ódio é a que convém à ordem estabelecida. Negando tudo isso, não com a boca, mas com o coração, você é um autêntico Ser moral. Porque então sua moral brota do amor e de nenhum motivo de ganho, de sucesso, de posição na hierarquia. Esse amor não pode existir se você pertence a uma sociedade que busca a fama, prestígio, posição. Visto que em tal sociedade não existe amor, sua moralidade é imoralidade. Rejeitando-a completamente, do fundo do coração, surge uma virtude plena de amor...

... Ver tudo isso num relance é meditação...

volta para o topo da página

 

Krishnamurti Home Page
Informações: Durval Henrique

Entre em Contato:
krishnamurti@krishnamurti.com.br

  Telefone: (11) 5523-2487
  Volta para página de abertura